
As vezes eu acho que as pessoas deveriam ser criadas sem saber da palavra amor. Deveria crescer sem ouvir toda aquela coisa de príncipe num cavalo branco que vai te salvar quando tudo é considerado perdido, você já cresce achando que pra ter o tal do “final feliz” você precisa de alguém ao teu lado, você precisa do príncipe pra ser feliz. Desculpe se vou destruir os sonhos de alguém aí, mas bem, saiba que pra ser feliz VOCÊ NÃO DEPENDE DELE – apesar de que quando você encontra alguém, e esse alguém vai embora, tudo parece ficar mais triste –, mas, final feliz? Que final feliz o que, final é final, pra alguém ele vai ser triste, se esse alguém é você ou não, eu já não posso dizer. Mas então, você cresce e quando tudo está no buraco você anseia a chegada do príncipe que com a sua espada cortará todos os seus problemas, te carregará no colo, e vocês serão felizes para sempre. Chega disso, ok? Você tem o primeiro amor, desculpe, mas acho que toda menina, desde a mais meiga até a mais vadia, já foi inocente o suficiente pra acreditar que aquele menino era o amor da vida dela, aí ele foi embora, e pronto, pode ser que ela continue bem meiga, chore ali pelos cantos e depois, bola pra frente que a vida é bela, mas pode ser que o tombo tenha sido tão, mas tão feio que ela mude, e se torne outra destruidora de corações igualzinha aquele menino besta que ela conheceu. Eu não sou a feminista que acha que todos os homens são machistas e brutos, mas também convenhamos, até daria pra acreditar, sabe aquela coisa de que os maus falam e os bons se calam? Então, é bem nesse caminho aí que as coisas andam. Droga, sempre desvio daquilo que eu realmente quero falar quando escrevo. Voltando lá pra cima, eu estava pensando que talvez se ninguém soubesse do amor quando criança as coisas fossem mais fáceis quando a gente crescesse, entende. Tá, você ama seus pais, ama toda a sua família, os seus amigos, mas sabe, amor é isso, é pra sentir mesmo, então você nasce, sente isso por eles e não se contenta em descrever todo esse sentimento numa única palavra de 4 letras. Aí, quando você se apaixonasse por algum garoto, você não tentaria descrever tudo o que você sente num simples “eu te amo” pra talvez ouvir como troco um “eu também”. Eu também o que? Eu disse que te amo e você diz que também. Também se ama? Isso é patético. Eita coisinha complicada essa pequena palavrinha aí que ninguém sabe ao certo o significado e que por isso sai falando aos quatro ventos e, sinceramente, dane-se se ela causar algum estrago em alguém. Eu to revoltada? Patético isso também né, mas sim, eu to revoltada, mas por que? Porque eu fui uma daquelas que recebeu vários “eu te amo” pra depois ouvir um “não é você, sou eu”, alguém tem a mínima noção do quanto eu saí ferida nessa história? Dizem que sabem, tentam me entender, dar conselhos, mas não, ninguém sabe. Eu não acreditava nos homens, mas ele me disse que nele eu podia confiar, fui tola e confiei, agora estou aqui, quebrada. Estou no chão e não sei de onde tirar forças pra levantar. E ele? Onde ele está pra me ajudar? Ele disse que sempre estaria comigo quando eu precisasse, disse que odiava me ver triste porque ele também ficava, mas eu to triste, aliás, muito mais que triste, e isso ta na cara, mas ele ta longe, e ta pouco se importando comigo. E isso dói. Desculpe a todos os românticos e apaixonados. A partir de hoje, confesso, desacredito no amor. Espero que daqui a algum tempo eu volte a acreditar. Espero que alguém apareça e me mostre que não é bem assim. Mas se não aparecer, confesso que foi uma pena, sempre achei que a crença no amor fosse uma das minhas maiores qualidades.
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